Assassina Poesia

Me inspiro em poemas. Poetas modernos de outrora que acabaram com a porra toda que vinha sendo feita antes deles. Modernos demolidores.
Deixem a métrica para os parnasianos - maquina de escrever versos! Já dizia o velho Oswald; e mesmo o amor romântico, velha amolação elizabethana. Banido! Insultar a beleza é que virou rock, ao menos foi pra Rimbaud, que parou de escrever poesia e virou traficante de armas. Morreu aos 37, sem uma perna - amputada por sinovite e carcinoma. Se não rompeu com a tradição romântica de ter uma vida curta, morreu de um câncer inédito ao panteão dos poetas. Já Ginsberg transou com Neal Cassady que por sua vez transou com um cara que transou com um cara que transou com Walt Whitman e acreditava ter recebido da porra fecunda do beat Moriarty a herança poética de Walty ou sabe-se lá que outra doença.

Corrosão, diria Mishima. Isso é o que fazem as palavras. Matam o sujeito, o tempo do verbo e da vida. Delicadeza no olhar ou a busca por uma experiência maior que a experiência da organicidade viva?... A modernidade acabou com as vanguardas para as modernidades futuras. Era de aquários, expeculam uns, então todos serão artistas. Mas porque diabos a essência destrutiva da poesia haveria de destruir em si o própria poeta? Ou quem sabe o poeta cansado de destruir-se em poesia tenha tentado dar um ponto final ao poema. Tentou-se até o não-poema, sepultando as palavras em esquifes concretistas. Terrível século XX de antíteses personificadas, e nessa guerra pela sobrevivência a poesia leu de análise freudiana a receita de bulgur com courgette, então, quando descobriu-se que o eu-poético era um sujeito patológico puseram-no em divãs, artaudoado em manicômios, a poesia verteu-se em páginas e páginas de fisiologia hipocondríaca e dissecações existenciais heideggerianas. O "eu" foi vencido pelo "poético", e na aventura pós-moderna de quem não chegou após o moderno, a crítica internou o sujeito na Colônia Juliano Moreira sob o diagnótico de "esquizofrênico-paranóico". Proibida a primeira pessoa do pronome pessoal do caso reto, a outridade severina emerge nos sentidos cabralinos. Nada de paixões! Mata-se então o sujeito para a honra e glória da poética arte literária.

Merecido fim.

Cabe a vós, jovens poetas, abandonar a idéia de um dia serem reconhecidos como tal. Vão desenvolver softwares, cursar engenharia, virar sub-produto da indústria cultural de massa ou se acabar em drogas, caralhos e bucetas! Quem sabe consigam uma morte prematura decorrente das tão raras doenças venéreas e então alguns amigos lembrem dos textos postados em algum blog perdido ou naquele livro publicado com verba pública que quase ninguém leu e digam "Este viveu pela poesia!".

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