Noite Quente em Itaparica

Os portos desabitados tornam-se em praias
espoliados do seu direito geométrico
as funções se vão com o mar a cada onda polissérgica de paixão ou violência
repulsa às formalidades sociais
- inimigas das luas e dos beijos

Sutiãs repressores - eu me lembro bem
Cigarros e cigarras cantando em noite quente o mar de Itaparica
Goles secos em meu conhaque Presidente
Na companhia de outras vozes das quais pouco me lembro
mas impossível esquecer aqueles seios iluminados

Leves lambidas aos vagos sons
A língua desenhava papilas e mamilo
Emrubecia
Tocava com timidez minhas audazes vergonhas
Mas aos poucos desejava aquela língua em outras curvas
Mar violento de tantos tesões

Pelos, línguas
Azuis em lençóis de areia
Conquistávamos terreno - cavalo de pau em Tróia
Traiçoeira noite quente
Coxas, línguas chupando-se convulsivas
Três, quatro... nem me lembro mais
Tantas ondas rompendo o cais
Algibeiras arrebatadas pelo mar
mas impossível esquecer aqueles seios iluminados

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