Poli(cé)tico

Regrados gestos
Ao público não observa
Passa por suas demandas
Dá de ombros

O compasso ditador do ritmo
Embala o asco que ora sinto
Dos meus passos nas rodas de samba
Que hoje, não –
Redondamente enganado
E cético –
Não creio no futuro da nação

Mais que isso
A corruptividade humana
Sequer me priva da repulsa a qualquer ideal moderno
E antes um ideal pós-moderno surja...
Realmente após essa modernidade

Não discordo dos argumentos democratas
Lamento os paletós, as bravatas
E as bandeiras vermelhas queimando na cidade
Enquanto sonhos de mudança são apagados
pela borracha dos balaços militares e bombas lacrimogêneas

Mas por hoje tentaremos chorar
Ou quem sabe seguiremos em noites
Regadas a cerveja barata e cocaína vagabunda
Acreditando que fazemos arte e vivemos poesia

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