Cinzento

Metido de frio
Nas mãos
O bolso encontrou vazios
Recônditos recantos
Para fugidios dedos
Que em desacordo com as cordas
Concordou em desatar
As melodias da viola
Numa esquina de tarde
Quem sabe um pouco cinzenta

De cartas não houve jogo
Jogadas em si ficaram
Esquecidas das partidas
De cachaça branca noites
Seguindo apostas perdidas
Porque a vida não perdoa
Baralho de cartas marcadas

Mas nessa tarde nublada
Com silêncio de emudecer
Não tivesse quem chorasse
Crianças passavam lentas
Borboletas nem se fala
Risadas pouco escondidas
Só no cheiro de café e bolo
de fubá

O sabiá dormiu cedo
Girassóis nem se fala
Cantigas de roda, parlendas
Não tinha quem ouvisse
Ao som de uma viola torta
Num fim de tarde cinzento

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