As horas não passam
E há sequer um dia
Perdido passarinho
Que eu ouça tua canção
No silente galho cortado
Da desarvorada amoreira
Carregada de eguns
No meio desse não dia
Metido de frio
Nas mãos
O bolso encontro vazios
Recônditos recantos
Para tão fugidios dedos
Que em desacordo com as cordas
Concordou em desatar
As melodias da viola
Numa esquina de tarde
Quem sabe pouco cinzenta
Das cartas não há mais jogos
Jogadas em si permanecem
Com o pensar nas partidas
Lembrando noites a fio
Seguindo apostas perdidas
Pois vida não lhe perdoa
Baralho de cartas marcadas
Houveram sim, dias
Terrivelmente nublados
Não houvesse quem chorasse
Crianças passavam lentas
Borboletas nem se fala
Risadas pouco escondidas
Cheiro de café e bolo
De fubá
Soube o caminho das calças
jeans
Passadas pelas calçadas
Já era tarde
Cinzentas passagens
O sabiá dorme cedo
Girassóis nem se fala
Cantigas de roda, parlendas
Sabe-se lá quem cantava
Ou o que mais se contava
Nas esquinas esquecidas
De um fim de tarde cinzento
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