Jardineira

I
Paisagem descolore quando passa ela
Batom vermelho na boca
Cabelo preto demais
Bonita como quem só

À tardinha, jardineira
Frutos colhe ao bel prazer
Finge até ser mastigada
Pelo fruto que ora engole

E morde corações quentes
Vampira de olhar verdeado
Deixando o Jardins calado
No desfrute de seus dentes

Na estrada uma formiga
Forma amiga de abrigar
Os restos de folha caída
Antes de ser pisada

Ensanguentados os campos
Miocárdios são pastados
Cansados de vãos pulsares
Pela jardineira infame

II
Duas línguas se entrecruzam
Dançando na tessitura dos
mal entendimentos
Passam dias a desdizer
acusações
Injuriar provocações
Às brigas se sucedem rompimentos
De bênçãos e casamento sacramentado
Pelo santo e falecido padre
se esqueceram
Outrora vivências vívidas
Que enrugam-se qual uvas ao tempo
E aquele porta-retratos
Às passas ora pertence

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