Nós

Se toca-me entre braços
Universos pulsantes
Levemente avexado, todavia
Me encolho
E me desata
nós
Gargantas em lágrimas
Noites em claro
Etílicas estrelas
A brilhar
No infinito abismo
Acima de nossas
Cabeças

São pequenos cosmos entreolhando-se
Hormônios e excretas agitando gônadas
Líquidos etílicos fluindo em canais orgânicos
Tornando as cores mais belas
E as noites mais
Luar

Nossa é a noite
Despeça suas decepções
E dispa-se perante espelhos
De tantas conjurações
De outras cabeças e desejos
Decepados ao caminho
E, se caminhas à noite
Sem sombras sob os olhos
Nas batidas de teu coração
Encontrarás flores nas ruas
e beijos de boa-sorte
Então meus olhos verão
Como te manténs bela
E compreenderás meus dias
E noites de voláteis parceiros
Perdidos nas lembranças de
Dias que não foram

Seguiremos dois
De mãos dadas ao sereno
Contanto histórias, outras
Dos tempos que não vivi
Dos sonhos que não sonhaste
De coitos perdidos por cansaço
Ou excesso
De amigos
Com gargalhadas sem conta
Que chega a sangrar os lábios