Silêncios

Te encontro sem pernas sobre um plástico mundo
No entanto caminhas
Arrastando teu corpo ferido sobre as feridas de um solo sujo
Bebes a água imunda dos lamaçais e mangues
Onde caranguejos mecânicos lhe sobem pelos cabelos

Rompida a noite sangrenta
Ventres repletos de vermes se ocultam sob viadutos
Não há motores
Sequer ruídos
Do roçar dos véus sobre a face dos mortos

Busco ainda o que lhe dê sentido
Náuseas gritos choros de fetos paridos nos esgotos
Não há flores
Tulipas e tertúlias ao entardecer amável
Vive apenas o silêncio
Do instante que precede o início de outro movimento

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