Campos de Partidas

não te encontro nos terminais do transcol sob meus pés quebradas pás de ventilador abafadas as inchadas feridas não respiram mais presas no interior de meus sapatos pés presos sob o peso de um corpo pálido magro negativo o saldo de sua conta bancária estradas correm levando carros para o norte nada mais encontro nos dias terminais os passos contidos sequer sei se ainda existem as estradas correm sem os pesados presos pés cortados tristes seguem os dias noites de neblina não encontram teu sorriso tímida trêmula sob os olhos de rômulo remo para longe desse vesgo rasgo de viscosa lama movediça noite dia escorrendo pelas vias de semáforos concretos e inchadas enxadas e pés de pás quebradas sob fétidas feridas palmilhas escondidas nos sapatos que suportam o peso da não ida o partido encontro desencanto da não despedida às pressas porque tudo é partida nos movimentos do ar dos carros sobre rodovias às recônditas picadas o voo da ave ferida parte da superfície branca pedaços cortantes de uma cascara rompida do ovo sai a lânguida serpente o filho que aos seus retorna reencontro nos campos de partida nos aeroportos nos portos carregados de mercadorias nos terminais do transcol jamais te encontrei perdido entre filas de pernas mais vivas do que as minhas férteis poesias mais belas ainda do que tuas pernas pendidas sobre as amuradas de inócuas avenidas divisoras de passagens em largas rodovias aí estão plantadas não sedem ao rígido impacto como sedia sedenta em teu sedentário sexo artístico de vagina fantasiada em virgens milhares de milhões de milhas percorridas entre o fálico desejo e tua fissura estática cálida calada em meio aos passos que levam a toda parte a mil partidas despedidas coitos já nem sei mais recorro à mão amiga e a outras tão amigas quanto a destra e a sinistra perdeu-se a conta o canto de sereia cuja concha é morada é armadilha amordaçada enfim eu viajante terno de pernas cortadas e sapato gasto milhares de horas de busca pelas ruas não pelas rodovias donde nunca fruístes te moves de outra maneira pelo movediço charco repleto de velas amarradas de moscas investindo sobre meu corpo magro apático
coberto de lesmas de lesmolisas caracoleando as calçadas da lama de porcelanas sujas onde encontro o descanso das pás quebradas sob meus pés de inchadas feridas

5 comentários:

  1. acho que nunca escrevi algo tão ordenado quanto isso. Mas então, senhorita alienígena gostosona, o que você acha sobre a ordem?

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  3. Sobre a ordem, eu acho que se deve abrir suas pernas e entrar rasgando e fudendo as regras de todas as galáxias verbais - morfológicas, sintáticas e estilísticas - até que elas, quando estiverem gozando, comam suas próprias letras. Digamos que essa sua ordenação desordenada possa ser considerada como uma ejaculação no momento certo, mas que ainda pode ser mais prolongada.

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  4. foi uma primeira experiência galáctica. basicamente um exercício de aplicação de estrutura. eu não gosto muito das estruturas. o lance das galáxias está numa estrutura que, aparentemente é violadora. é quase uma foda violenta após dez anos de casamento. concordo com prolongar a foda, por isso considero esse "Partidas" apenas uma punheta.

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