Estrelas

Há noites belas
Com brisa pixada nos muros
Vento leve passando por cabelos
Que não se mexem
Negros cabelos crespos
O luar pendurado logo acima dos postes
As estrelas não se vê...
Mas é bom saber que brilham
A vinte anos luz
Da Ilha de Vitória

Noites Demais

Chegam mais e mais
Trocando cumprimentos e sorrisos
Empertigados espíritos
Mostram aos olhos atentos
As folhas caídas
De outras estações
Nada a ver com algo belo
Da beleza dos estetas
Digo de areia e lama
Suor escorrendo das testas
Bicas de sentimento fluindo
Dos lábios das paixões das ideias
E porque não
De substâncias secretas
Guardadas por mãos negras

As noites encolhidas passam
Temerárias horas de espera
Doses e mais doses de conversa leda
Composta em tantos ruídos que me escapam
A melodia dos sonhos
Do voo de borboletas
Da voz feminina à minha frente
E ainda muita coisa falta
Os espaços vazios
Vagões sobre trilhos comprimidos de desejos
Sinceros beijos sorridentes
E ainda sobra tanta coisa
Que um olhar atento poderia revelar
Mas nós estamos cegos

Temores

Exposto à natureza dos homens temo
Moral relógios bebidas alcólicas chás emagrecedores
Empregos
Brigas e brigas após noites de sexo
A diária cópula das moscas
Perdem noites afirmando verdades
Não sabendo que a única verdade está no sonho que não tiveram
As roupas os cheiros
As afirmações homo-afetivas
As declarações hetero-normativas
Os pais os anéis o status do serviço público
Os carros....
Ó deus todo poderoso
Como temo os carros

Vitórias

Aconselho Vanessa
Com o carinho de um amante
Desejo boa noite a Ana
Elogio os lábios de Camila e digo
Você é linda
Troco olhares com Carolina
Tapas e toques com Mariana
Compro bombons para Olavo
Beijo o pescoço de Marcela sempre que a cumprimento
Ela se arrepia
Seguro as mãos de Yara
Roço os ombros nos seios de Fernanda
Escrevo e-mails para Lucas
Lembro noites com Érica
Me masturbo por Kehlen
Recebo mensagens de Aline
E me embriago todas as noites
Exalando tesão e injúrias
Para dormir sozinho

Amanhecer

As garrafas estão vazias sobre pilhas de outras garrafas
Vazias
A sala se desfaz do encanto da noite quente
Dos copos cheios de cerveja
E corpos quase nus tocando
Dois ou três outros corpos
Quase todos dormem
Do outro lado de nossas paredes
Cheiros risos cantos desconhecidos
De todos que passam debaixo
E acima dessas janelas
Os cigarros se acabando
Contam cinzeiros cheios
Verdades gritadas à noite
Que não são mais que lixo
Ao adormecer da lua

Da Vida

Estava assim
Como sempre nunca estivera antes
Lábios grossos desejos
Pernas como não nem
Sempre estivera ali
Perdida entre montes
Multidões de olhos castanhos
Nada queria
Mesas de bar e jogos
Passagens passes ao fim da sessão
Pernas como nunca jamais
Olhares atentamente desperdiçados pelo ar
Da noite nada queria
Jogos de mesas em bares
Lábios
Grossos desejos
Tomou um trago e voltou
Para a rua
E os reflexos nos olhos dos perdidos meninos mudaram por todo o resto da vida