Perdição

Nos perdemos no óbvio
Das salas de espera
E em horas extras que tomam
Muito mais
Que horas extras

Nos movemos mórbidos sobre as avenidas
Empilhando desejos
Andar por andar
Em apertadas caixas de ilusão

Como lesmas que se arrastam
Pagando uma vida inteira
O peso de sua concha

Conduzindo o tempo sobre as horas dos dias
Com enlatados egos comprados
Nas vitrines dos desejos formatados

Não vemos porque estamos cegos
Levando os olhos nas carteiras
E à luz do sol nos debatemos
- Irônicos morcegos

Espalhamos sentidos ao que quer que seja
Vetorizados os anseios
Deificamos escarros, esporros
Massa hercúlea de frustrações

De não sermos nunca as vidas
Das novelas e revistas
Incessantemente consumidas
Doze meses por dia

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