Ventania

As ruas foram varridas por revoltados ventos
As asas quebradas dos mal fadados pássaros
Contaram-me sobre o que não pôde ter sido
Tessituras repletas de buracos
Maltrapilhos encontrados na perdição de dias outrora marcados
Nada a ver com o que não se esperava
Mas a espera
Longa caminhada
Não me levaram à minha mesma casa
Às mesmas existências nossas
Ao revés
Revi tudo abandonado
Desabadas prateleiras da associação de artesãos
Das aveludadas salas de espera
Dos cinemas e teatros
Que não se associam aos artesãos das praças
Aos perdidos caminhantes das estradas de asfalto
Repletos de berlugas e piolhos sobre suas aéreas
Cabeças
Perdi meus sapatos e caminhei descalço
Velhos ventos soprando ruínas
Desencontros compartilhados por frustrações arredias
Decepadas propostas
Decapitadas falas
Fálicas falácias de contrariadas vaginas
Arrancadas as arvores de uma geração falida
Passada
Calças ruas calçadas repletas de sequidão
Cruzada por pés descalços
O peso dos dias sobre os maltratados ombros
Postos à lixeira de um progresso armado
Sonhos
Arames farpados ao redor dos anseios desconhecidos
Casa de marimbondo sobre os maracujás maduros
Ceifa de soja agrária nos envenenados campos
Coitos desenfreados com lágrimas nos olhos
Pelas borboletas mortas
Pelo alvo perdido
Nas labirínticas ruas dos risos inalcançados

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