Noites Mornas

Mornas noites decoradas
Com luzes de hoste e milícia
Ladram cães cinzentados
A fuga sucede em rotina
Calçadas seguem vazias
Povoadas por semi-homens
Ocultos à sombra do não-dia

Nas paredes sujas
dos bares baldios
Resta apenas a lembrança
Dos que hoje em recôndito
Estão cansados das armas
De polícias e bandidos

A noite morna caminha
Com os pés em areia e lama
Esta seca e vazia
E enquanto ao céu puído sobe
O fumo cálido dos fornos das usinas
A lua cospe luz fria
Para poupar sua energia