La Cosecha de Jhon

Pasas por las calles
Dejando sangre y sonrisas
Pasas por las vidas
Más que por las vias
Dejando accá Bogotá
Haciente mucho latino
Nuestro pequeño hogar
Camiñas por existencias
Construyendo su família
Como hermanos y hermanas
De la tierra somos semilla
De la carne somos la sangre
Del cielo
Estrellas fugaces
Que nos encuentramos en los bares
Donde bebimos vida
Y en las calles sembramos flores
Nuestra loca poesía
Así pasaste por estas vías
Recogendo Vitórias guayabos besos
Sembrando encuentros y sonrisas
¿Que más valioso puedes llevar desta cosecha
Además de saber que dejas
Mucho amor en nuestras vidas?

Passagem

A passarela acompanhava as linhas curvas do prado. Mãos dadas roçando polegar e indicadores de uma excitação crescente. Os dedos finos de pele clara e delicada suavam minúsculas gotas que aumentavam a sensação de contato com a mão avermelhada e quente que envolvia e apequenava ainda mais a sua. Em Brasilia, dezoito horas. Paaam-paam-pararaaam, paaam-pararam, pam-pam-pam pam-pam-pam-pam-pam-pam-pammmm pam... A música do rádio é uma velha conhecida de qualquer brasileiro, tocando todos os dias para Silvas, Oliveiras e Santos devotados ao triunfo de seus ilustres patrões que lhes apequenam os anseios e lhes cegam os sentidos. Enquanto a vida passa no transcol da Reta da Penha, o suor seguia escorrendo, arregalando poros e amígdalas, glândulas latejantes pelo calor daquela pele de fogo. Arco de Diana nas mãos de Afrodite.

Automebas

De decrescentes andares
Saltam corpos nas avenidas
Pululantes amebas
No asfalto quente derretem
Esmagadas por automóveis
Que elas mesmas dirigem

Devoção

A tarde cai em noite chuvosa
Gargantas degoladas povoam telas azuis
Uma exposição de espelhos auto-refletidos
Como símios descontentes
Lançam merda aos que observam
Por detrás das grades das jaulas
Às quais muitos se encerram
Mentes postas a mesa
Iguarias para os abutres encefalófagos
O consumo dos dias
Os seios na televisão
Os jogos de videogames
Aos sábados, ir ao shopping com a família
Aos domingos, só Deus sabe
Às segundas o inevitável acerto de contas
Sem esquecer a conta do médico
de próstata e mama
A desvalorização crônica de sua aposentadoria
A degradação do meio ambiente
Que aos seus extremos já degradaram
A vida está por um fio
De fibra ótica que cega
Para o colorido dos dias
Ao Deus dará esperamos
A velhice com Alzheimer
Para que não lembremos todo o lixo que comemos
Para que não choremos toda a vida que cagamos