Passagem

A passarela acompanhava as linhas curvas do prado. Mãos dadas roçando polegar e indicadores de uma excitação crescente. Os dedos finos de pele clara e delicada suavam minúsculas gotas que aumentavam a sensação de contato com a mão avermelhada e quente que envolvia e apequenava ainda mais a sua. Em Brasilia, dezoito horas. Paaam-paam-pararaaam, paaam-pararam, pam-pam-pam pam-pam-pam-pam-pam-pam-pammmm pam... A música do rádio é uma velha conhecida de qualquer brasileiro, tocando todos os dias para Silvas, Oliveiras e Santos devotados ao triunfo de seus ilustres patrões que lhes apequenam os anseios e lhes cegam os sentidos. Enquanto a vida passa no transcol da Reta da Penha, o suor seguia escorrendo, arregalando poros e amígdalas, glândulas latejantes pelo calor daquela pele de fogo. Arco de Diana nas mãos de Afrodite.

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