Fluvial

Te enxergo por detrás
De embaçadas vidraças
Embarcações navegantes
Em naufragadas vagas
Mortas na areia
De nossa desgovernada praia
Emaranhadas em ondas
De tantos lençóis usados
Que em outras vidas eram
Cascas e mais cascas
De nossos corpos desnudos

Sinto os espaços deixados
Por teu corpo aventureiro
Desafiando correntes
Em teu veleiro urbano
Plantando hortas e orquídeas
Nestas ruas de guerrilhas
Somando perspectivas
De anárquicas conjecturas
Semeando delícias
Em pastos já tão pisados
Por reses desiludidas

Encontro pelos e passos
Nos morros e beiras
De rios inquietos
Que correm por ti
Fluentes
E me deparo comigo
Sentado à areia quente
Dobrando folhas e sonhos
Em brancos triviais barcos
De papel arrebatados
Por essas tuas
Correntezas

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