Solúvel

Nos dias frios deste inverno quente
Proliferam incertezas
Pelas sólidas vias
Nuvens brancas varrem
Amareladas verdades
De minha massa cinzenta
- Concreta imaterialidade
Consolidando projetos
Versos de afetos idos
Memórias de fatos mentidos
Em noites de sono alheio
Valorando pelos dias
Oito horas de atos fingidos
Cometendo o infanticídio
De debutantes desejos
Amarro-me à morada
Que preserva a inconsistência
De tantas ideias escritas
Em páginas publicadas
E me pergunto agitado
Das problemáticas tantas
De questionáveis verdades
Solúveis constatações
A respeito dos humanos
Em sua cruzada epopeica
De gozar seus orifícios
Assim as angústias passam
E se alojam em outras vidas
Passando pela minha
Como essas nuvens de inverno
Que desatinam mentes
Desfazem meu espírito
E já nem sei mais
Se questiono as verdades ditas
Projetando mentiras
Nessas sociais vivências
Sigo pedindo clemência
A essa mente inquieta
Que se espreme na matéria
Deste corpo constipado
Paradoxal realidade
De uma existência
Líquida

Nenhum comentário:

Postar um comentário