Miocárdio

A arma apontada
É contra meu peito
À noite enquanto
Cantam as cigarras
O coração é arrancado
Olho o triste miocárdio
Nas mãos do cirurgião
Que o joga na lixeira
Pulsava até ontem
Foi parando
e parado ficou
Agora é só um buraco frio
Que tento esquentar com cigarros
E doses ardentes de conhaque
Que me queimam a garganta
E me dói forte na cabeça
Me fazendo lembrar que há outras dores
Além daquela de ausência
Que fez meu coração parar

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