Espelhos

Olhar o espelho e ver-se
Mente mais que corpo
Reticências num final de livro
Florescência
Debaixo da matéria morta
Do calor extinto
Da fogueira que consome
Pra renascer em colheita
Num corpo de texto
Desconhecido
E pontuar-se
Ver a língua em tudo que se espalha
Entre a pele e o âmago
Ver-se retalho costurado à vida
E em cada história contada
Colher pedaços de si
Remontando a imagem
Criada nos olhos do espelho
Reflexo das contas do terço
No qual me reconheço
E onde rezo entre fios e caroços
A espera dos dias
O silêncio dos vazios
E ensaio diante da luz alheia
O quanto da imagem refletida
Há dentro de mim

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