Estranho

Amo de um amor apressado
E viajante
De um amor que guarda fotos
Saudades
Um amor que é passagem
Pra eu sair de mim
Pra outros lugares
E outras vidas

Amo de amor estranho
Que sente falta
Que extraña su presencia
E que é excêntrico
Me tirando do eixo
Sempre que me esqueço
De ser algo dado
De dar-se embrulhado
Aos cuidados seus

Amo de um amor de extravio
Que me manda de volta aos postos
De gasolina
Que nunca fecham
Aos portos que jamais param
De vomitar barcos nas manhãs
De ressaca do mar

Acho que amo de um amor ébrio
Que me mareja as vistas
E me lança às ondas
Essas de navegar
Por isso amo apressado
E viajante
Por isso amo
De um amor de saudades

Sapê

Decepados os tormentos
Rebrotam cores das terras
Versos nas vidas
E nos pratos
Comida
A terra pede o amanho
Na roça canta o trabalho
E o muito por fazer
Não o fazer pro outro
Da cana, do café, do faxo
Fazer-se morto nos campos
Em meio a herbicidas
Formicidas
Fungicidas
Suicidas colheitas
Ou cozer a alma para tornar preto
O lenho
Nas fornalhas que queimam
As vidas no deserto verde
Preto é o homem
Da carvoaria
E seu destino imprensado
Entre as fileiras de desilusão
Destino de negro
Em mundo de branco
Pois destino de negro em mundo de negro
É ser criança
E brincar a brincadeira no tempo certo
É ser mulher
E criar-se mulher como quem inventa o mundo
É ser homem
Sem que pra isso
Seja preciso
Matar tudo que não seja
Homem