Que houve com a poesia na noite de ontem?
Os carros correm velozes pelas voláteis avenidas
Lua não se percebe
Tampouco cantos, campos de corujas
O sopro da brisa ou qualquer coisa assim
Que tocam os sentidos d’alma
Pisei em todos os versos escritos em nossa pele
E as margaridas do canteiro queimaram todas ao sol
Comprei jornais, cigarros
Competi para a manutenção da sociedade civil
Gozei ofícios, cédulas, promoções
Risos de criança não mais
E a lua nem se percebe
Confabulei revoluções,
Noites de amor ao som de Gardel
Cervejas e xotes em Campina Grande
E sem tentar nadar os mares de Anchieta
Morri em ruas sem beira-mar
Calçadas de Jardim da Penha
O juiz não permitiu o melhor de nossos dias
E ser poeta ou artista custa gotas de sangue e álcool
Luas, corujas e cabelos ao vento
Mas quem há de querer isso em sua vida
Se amanhã os ponteiros me tomam às seis da manhã
Melhor que agora eu volte à minha caixa de realidades
Para arrancar essa camisa ainda suja de poesia
Cosas Otras
a la ciudad de La Paz y mis amigos paceños!
Aún guardas estas nuestras cosas otras
En piezas desnudas
Donde nunca estás
Y bebes todas las noches
En los boliches de las calles
De San Pedro o otro bario
Lejos de mi pequeña isla
O de la Católica
Porque tienes alas
En los pies
Y sueños
Y versos que no son tuyus
Mientras llévalos contigo
En los risos de sus pelos
Y en la mirada, celosa
Orientando las curvas
De las calles de Chuquiago
Pues el viaje és siempre lo mismo
Sonrisas y lloro
Llegadas y partidas
Y otrora no tenías
Nada más que agora tienes
Los bolsillos vacíos
y estas nuestras cosas otras
Aún guardas estas nuestras cosas otras
En piezas desnudas
Donde nunca estás
Y bebes todas las noches
En los boliches de las calles
De San Pedro o otro bario
Lejos de mi pequeña isla
O de la Católica
Porque tienes alas
En los pies
Y sueños
Y versos que no son tuyus
Mientras llévalos contigo
En los risos de sus pelos
Y en la mirada, celosa
Orientando las curvas
De las calles de Chuquiago
Pues el viaje és siempre lo mismo
Sonrisas y lloro
Llegadas y partidas
Y otrora no tenías
Nada más que agora tienes
Los bolsillos vacíos
y estas nuestras cosas otras
Femenina
Tão mergulhadas em problemas se apresentam
Olhos borrados qual aguadas de nanquim
Luas minguadas e volúpias incontidas
Ao desbundar das cheias
Teias de mentiras
Palavras vertidas
Incontáveis
Ao ralo jogadas
Pelo nada ouvidos
Dores
Doenças
Prolixas patologias
Que pronto esquecem, risadas
Gritos, pulos, ecos de euforia
Em lábios o batom forma um sorriso
Estampando em boca qualquer
Um dar-se como menina
E receber como mulher
Olhos borrados qual aguadas de nanquim
Luas minguadas e volúpias incontidas
Ao desbundar das cheias
Teias de mentiras
Palavras vertidas
Incontáveis
Ao ralo jogadas
Pelo nada ouvidos
Dores
Doenças
Prolixas patologias
Que pronto esquecem, risadas
Gritos, pulos, ecos de euforia
Em lábios o batom forma um sorriso
Estampando em boca qualquer
Um dar-se como menina
E receber como mulher
Passarinhos
Nossos sonhos e versos
Furtirroubados
Ao som de marchas
Cantares acabrunhados
Virtudes monocromáticas
Passeiam por solo insípido
Com rouxinóis sufocados
Secretados os porquês
Nossos tímpanos se rompem
Sequer o som do tarol
Recusam-se escutar
Ao perceber os reais motivos
Permanecemos assim
Parados
Azulada a liberdade
O entardecer nos condena
À midiocracia gritada
Simulacro de prazer
À venda as ervilhas verdes
Apodrecem nas bancadas
Saberíamos porquês?
Bem-te-viram podados
Os galhos dos jatobás
Desembotando tristezas
Cansados desse silêncio
Só há pena a quem calar
Nas virtuárvores negras
Passarinhos a twitar
Furtirroubados
Ao som de marchas
Cantares acabrunhados
Virtudes monocromáticas
Passeiam por solo insípido
Com rouxinóis sufocados
Secretados os porquês
Nossos tímpanos se rompem
Sequer o som do tarol
Recusam-se escutar
Ao perceber os reais motivos
Permanecemos assim
Parados
Azulada a liberdade
O entardecer nos condena
À midiocracia gritada
Simulacro de prazer
À venda as ervilhas verdes
Apodrecem nas bancadas
Saberíamos porquês?
Bem-te-viram podados
Os galhos dos jatobás
Desembotando tristezas
Cansados desse silêncio
Só há pena a quem calar
Nas virtuárvores negras
Passarinhos a twitar
Cidade Fria
Como gasto papel transando essas linhas
Buscando sombras e letras
Devanescência de sonhos
Percorro diárias distâncias
De passos e buscas
Que cruzam
Dos jardins frente aos edifícios
Praças de Itaparica
Às calçadas da Fonte Grande
Ou mesmo menos que isso
Buscando raios de sol
Candescentes
Botões flores
Cantigas
Que acalantem a vida
Apaziguem guerrilhas
E aqueçam os dias e noites
Desta humana cidade fria
Buscando sombras e letras
Devanescência de sonhos
Percorro diárias distâncias
De passos e buscas
Que cruzam
Dos jardins frente aos edifícios
Praças de Itaparica
Às calçadas da Fonte Grande
Ou mesmo menos que isso
Buscando raios de sol
Candescentes
Botões flores
Cantigas
Que acalantem a vida
Apaziguem guerrilhas
E aqueçam os dias e noites
Desta humana cidade fria
Jardineira
I
Paisagem descolore quando passa ela
Batom vermelho na boca
Cabelo preto demais
Bonita como quem só
À tardinha, jardineira
Frutos colhe ao bel prazer
Finge até ser mastigada
Pelo fruto que ora engole
E morde corações quentes
Vampira de olhar verdeado
Deixando o Jardins calado
No desfrute de seus dentes
Na estrada uma formiga
Forma amiga de abrigar
Os restos de folha caída
Antes de ser pisada
Ensanguentados os campos
Miocárdios são pastados
Cansados de vãos pulsares
Pela jardineira infame
II
Duas línguas se entrecruzam
Dançando na tessitura dos
mal entendimentos
Passam dias a desdizer
acusações
Injuriar provocações
Às brigas se sucedem rompimentos
De bênçãos e casamento sacramentado
Pelo santo e falecido padre
se esqueceram
Outrora vivências vívidas
Que enrugam-se qual uvas ao tempo
E aquele porta-retratos
Às passas ora pertence
Paisagem descolore quando passa ela
Batom vermelho na boca
Cabelo preto demais
Bonita como quem só
À tardinha, jardineira
Frutos colhe ao bel prazer
Finge até ser mastigada
Pelo fruto que ora engole
E morde corações quentes
Vampira de olhar verdeado
Deixando o Jardins calado
No desfrute de seus dentes
Na estrada uma formiga
Forma amiga de abrigar
Os restos de folha caída
Antes de ser pisada
Ensanguentados os campos
Miocárdios são pastados
Cansados de vãos pulsares
Pela jardineira infame
II
Duas línguas se entrecruzam
Dançando na tessitura dos
mal entendimentos
Passam dias a desdizer
acusações
Injuriar provocações
Às brigas se sucedem rompimentos
De bênçãos e casamento sacramentado
Pelo santo e falecido padre
se esqueceram
Outrora vivências vívidas
Que enrugam-se qual uvas ao tempo
E aquele porta-retratos
Às passas ora pertence
Cinzento
As horas não passam
E há sequer um dia
Perdido passarinho
Que eu ouça tua canção
No silente galho cortado
Da desarvorada amoreira
Carregada de eguns
No meio desse não dia
Metido de frio
Nas mãos
O bolso encontro vazios
Recônditos recantos
Para tão fugidios dedos
Que em desacordo com as cordas
Concordou em desatar
As melodias da viola
Numa esquina de tarde
Quem sabe pouco cinzenta
Das cartas não há mais jogos
Jogadas em si permanecem
Com o pensar nas partidas
Lembrando noites a fio
Seguindo apostas perdidas
Pois vida não lhe perdoa
Baralho de cartas marcadas
Houveram sim, dias
Terrivelmente nublados
Não houvesse quem chorasse
Crianças passavam lentas
Borboletas nem se fala
Risadas pouco escondidas
Cheiro de café e bolo
De fubá
Soube o caminho das calças
jeans
Passadas pelas calçadas
Já era tarde
Cinzentas passagens
O sabiá dorme cedo
Girassóis nem se fala
Cantigas de roda, parlendas
Sabe-se lá quem cantava
Ou o que mais se contava
Nas esquinas esquecidas
De um fim de tarde cinzento
E há sequer um dia
Perdido passarinho
Que eu ouça tua canção
No silente galho cortado
Da desarvorada amoreira
Carregada de eguns
No meio desse não dia
Metido de frio
Nas mãos
O bolso encontro vazios
Recônditos recantos
Para tão fugidios dedos
Que em desacordo com as cordas
Concordou em desatar
As melodias da viola
Numa esquina de tarde
Quem sabe pouco cinzenta
Das cartas não há mais jogos
Jogadas em si permanecem
Com o pensar nas partidas
Lembrando noites a fio
Seguindo apostas perdidas
Pois vida não lhe perdoa
Baralho de cartas marcadas
Houveram sim, dias
Terrivelmente nublados
Não houvesse quem chorasse
Crianças passavam lentas
Borboletas nem se fala
Risadas pouco escondidas
Cheiro de café e bolo
De fubá
Soube o caminho das calças
jeans
Passadas pelas calçadas
Já era tarde
Cinzentas passagens
O sabiá dorme cedo
Girassóis nem se fala
Cantigas de roda, parlendas
Sabe-se lá quem cantava
Ou o que mais se contava
Nas esquinas esquecidas
De um fim de tarde cinzento
Santidades
I
Nossos dias sempre foram assim
Cachoeiras pela manhã
Café quente e Bom Dia Brasil
Buscamos pontos de equilíbrio
Nas pétalas das flores
Mas asas de borboletas eram e voaram
Como orvalho secando ao sol
Assim foram nossos dias
Tardes quentes
Versos livres
Culinária, nudez e outros amores
Cigarras ao por do sol
À noite,
Luzes rodando sobre nossas cabeças
Éramos assim...
Mais pra lá do que pra cá
II
Ah, quanta ousadia
Das bocas das crianças
Às falas dos sacerdotes
Tudo se quer falar
Quase nada há de ouvir
Ou a Deus obedecer
Ou o Diabo mandar
Sem muita opção
Se cala o poeta
Como quem chora de amor
Em meio ao passeio público
Nossos dias sempre foram assim
Cachoeiras pela manhã
Café quente e Bom Dia Brasil
Buscamos pontos de equilíbrio
Nas pétalas das flores
Mas asas de borboletas eram e voaram
Como orvalho secando ao sol
Assim foram nossos dias
Tardes quentes
Versos livres
Culinária, nudez e outros amores
Cigarras ao por do sol
À noite,
Luzes rodando sobre nossas cabeças
Éramos assim...
Mais pra lá do que pra cá
II
Ah, quanta ousadia
Das bocas das crianças
Às falas dos sacerdotes
Tudo se quer falar
Quase nada há de ouvir
Ou a Deus obedecer
Ou o Diabo mandar
Sem muita opção
Se cala o poeta
Como quem chora de amor
Em meio ao passeio público
Depressivo
Como enamorado à espera de um beijo
Contraia-se, lesma sob sua concha
Rogando a passagens destes dias
Medo e angústias por companhia
Não lhe davam minuto descansável
Ali permaneciam imóveis
Entre o peso de seu coração e o capacho estirado à porta
Arrancava seus cabelos
Com as mãos
Emaranhados entre os dedos
E os subprodutos da masturbação
De nada adiantavam
Aguardava o fim filme
O aparecimento dos letreiros
O ascender daquelas belas voláteis claras luminescentes lâmpadas
Coragem não haveria
Mas quem sabe... um beijo enamorado
Ou mesmo flor borboleta dia
Cores já desconhecidas a lhe causar
Cócegas em narina e risos
Espirros multicoloridos
A povoar sonhos
De primaveras não vividas
Contraia-se, lesma sob sua concha
Rogando a passagens destes dias
Medo e angústias por companhia
Não lhe davam minuto descansável
Ali permaneciam imóveis
Entre o peso de seu coração e o capacho estirado à porta
Arrancava seus cabelos
Com as mãos
Emaranhados entre os dedos
E os subprodutos da masturbação
De nada adiantavam
Aguardava o fim filme
O aparecimento dos letreiros
O ascender daquelas belas voláteis claras luminescentes lâmpadas
Coragem não haveria
Mas quem sabe... um beijo enamorado
Ou mesmo flor borboleta dia
Cores já desconhecidas a lhe causar
Cócegas em narina e risos
Espirros multicoloridos
A povoar sonhos
De primaveras não vividas
Ano Novo
Mais passos
Más passagens
As vias cada vez mais largas
Acumulam mobilidades
Estreitas modernidades
Mordemo-nos dia-a-dia
Rosnando ombros sem carícias
Falácias
Falhas sociabilidades
Passado a virada
Os votos de paz e o amor
Seguem engavetados
Em 364 dias de indiferenças
Movem-se máquinas
Sistemas e bancos de dados
Insones
E sempre haverá mais um pau-de-arara
Subindo as serras
Buscando alcançar
Velha feli(z)cidade
Más passagens
As vias cada vez mais largas
Acumulam mobilidades
Estreitas modernidades
Mordemo-nos dia-a-dia
Rosnando ombros sem carícias
Falácias
Falhas sociabilidades
Passado a virada
Os votos de paz e o amor
Seguem engavetados
Em 364 dias de indiferenças
Movem-se máquinas
Sistemas e bancos de dados
Insones
E sempre haverá mais um pau-de-arara
Subindo as serras
Buscando alcançar
Velha feli(z)cidade
Negação
Te proponho cervejas
Noites luxuriosas
Ensino a tragar cigarros
E como dançar sambas
Lentos
Teus olhos todavia
Resvalam só pesares
A falta que te faz
Sabe-se-lá-o-quê
E pensas em como é triste
A ausência do sonhar
Enquanto se nega a dormir
Ou como te faltam
Fôlegos de viver
Se te recusas àcordar
Noites luxuriosas
Ensino a tragar cigarros
E como dançar sambas
Lentos
Teus olhos todavia
Resvalam só pesares
A falta que te faz
Sabe-se-lá-o-quê
E pensas em como é triste
A ausência do sonhar
Enquanto se nega a dormir
Ou como te faltam
Fôlegos de viver
Se te recusas àcordar
De volta aos bares
Agoniza
A noite chacinada em bebedeiras
As beiras de calçadas abrigam ébrios
Imersos em suas íntimas
Melancólicas
Manjedouricas sarjetas
Contrariam
O vento da manhã sem sol
Gélida esperança perdida
Soprando aos seus ouvidos surdos
Despedidas
E andando no anti-horário das famílias
Cruzam com opróbio a desmedida
Ficcional existência
Chamada
vida
A noite chacinada em bebedeiras
As beiras de calçadas abrigam ébrios
Imersos em suas íntimas
Melancólicas
Manjedouricas sarjetas
Contrariam
O vento da manhã sem sol
Gélida esperança perdida
Soprando aos seus ouvidos surdos
Despedidas
E andando no anti-horário das famílias
Cruzam com opróbio a desmedida
Ficcional existência
Chamada
vida
Mandarim
Meu olho iluminava teu corpo
Bijuteria brilhando ao sol
Imagem tão bela quanto falsos diamantes
Tão eterna quanto a porcelana fabricada nas oficinas
da República Popular da China
Poesia em mandarim são teus olhos
Um ocidente de arregaladas comunas
Vórtice brilhante de inspirações
Me deixando suspiroso a buscar versos
Que iluminem o lilás dos teus desejos
E sigo idolatrando teus seios
Subindo antenas de TV para teu nome os ventos escutarem
Pois não há orvalho tão doce quanto teu suor
Nem tão perfumadas pétalas
Quanto o olor dos teus pequenos lábios
Bijuteria brilhando ao sol
Imagem tão bela quanto falsos diamantes
Tão eterna quanto a porcelana fabricada nas oficinas
da República Popular da China
Poesia em mandarim são teus olhos
Um ocidente de arregaladas comunas
Vórtice brilhante de inspirações
Me deixando suspiroso a buscar versos
Que iluminem o lilás dos teus desejos
E sigo idolatrando teus seios
Subindo antenas de TV para teu nome os ventos escutarem
Pois não há orvalho tão doce quanto teu suor
Nem tão perfumadas pétalas
Quanto o olor dos teus pequenos lábios
Geovana's Happy Hour
O sol se punha com a tácita algazarra dos pássaros. As virginais ninfetas da escola saídas cruzavam olhares com os meninos e esses, retribuíam com comentários sexualmente muito maldosos para sua pouca idade. Perdida entre pensares importantes o suficiente para lhe tomar a mente após uma saraivada de alunos inquietos, mas não suficientemente ilustres para que ela se recordasse o assunto se perguntada uma hora depois, saía suspirosa de mais uma tarde de trabalho na escolinha municipal de Nova Almeida. A mochila pesada era carregada sobre apenas um ombro e o jeans levemente largo para suas medidas lhe imprimiam um ar descompromissado. As ruas estavam levemente movimentadas e entre os paralelepípedos e as calçadas irregulares, a sarjeta acomodava gentilmente os papéis de balas e outras guloseimas que eram vendidas à porta da escola, assim como as folhas secas de castanheiras que se derramavam sobre os dias como é comum em meados de agosto. Os passos lhe arrastavam até o ponto de ônibus e os meses lhe arrastavam para as férias tão esperadas. Sentia a estrada pulsando em suas veias. Uma vontade de viajar sem rumo por velhas carreteiras ainda desconhecidas. Não fumava, mas teve vontade de dar uns bons tragos no cigarro que um rapaz fumava à espera do Transcol. Orientou-se do tempo pela luminosidade do céu. Os tons de laranja convertiam-se em rosa e lilás, seguindo até um azul mais escuro no horizonte oposto. Mordeu levemente os lábios antes de romper a hesitação. Saiu a passos largos do ponto de ônibus, antes que fosse tarde demais. Chegou à rua da praia e levemente resfolegante, sentou à mesa de um barzinho, respirou fundo, afastando qualquer sombra de compromisso que lhe pudesse tomar o início de noite e avistando o garçom pediu uma cerveja bem gelada. Aliviou-se dos dias como uma epífita curada por chuva após alguns meses de estiagem. O sol esqueceu de se por vendo a jovem que se transformava em orquídea e até agora estão da mesma maneira, admirando-se um ao outro no entardecer de Nova Almeida.
Só Dois
Seremos só dois
Mas depois virão os outros
Com sua cara ou a minha
Tanto faz
Pois serão tu e eu
Pois seremos nós eles
E teremos um cão
Seu eterno rival
Pela liberdade das flores
Crescerem
No quintal
Casa cheia aos domingos
Babá nas noites de sábado
Conta conjunta
Seremos só dois
Compartilharemos livros
Comentaremos indignados
Crimes contra a família
Ou contra a paz mundial
Tanto faz
Pois serão nossos lábios
E olhos revoltosos
E quanto recolheres teus verbos
Tuas sobrancelhas serão sinais
Os dias passarão pensativos
Noites sem o suor do teu corpo
Mágoas
Nos porta-retratos dias coloridos
Viagens de trem
Amigos que já se foram
As rotas
Os corpos
Nas vidas nada mais do mesmo
Nem dos meus vinte anos
Porque o mundo gira
Em sentido anti-horário
Porque hoje seremos só dois
Mas depois virão os outros
Com sua cara ou a minha
Tanto faz
Pois serão tu e eu
Pois seremos nós eles
E teremos um cão
Seu eterno rival
Pela liberdade das flores
Crescerem
No quintal
Casa cheia aos domingos
Babá nas noites de sábado
Conta conjunta
Seremos só dois
Compartilharemos livros
Comentaremos indignados
Crimes contra a família
Ou contra a paz mundial
Tanto faz
Pois serão nossos lábios
E olhos revoltosos
E quanto recolheres teus verbos
Tuas sobrancelhas serão sinais
Os dias passarão pensativos
Noites sem o suor do teu corpo
Mágoas
Nos porta-retratos dias coloridos
Viagens de trem
Amigos que já se foram
As rotas
Os corpos
Nas vidas nada mais do mesmo
Nem dos meus vinte anos
Porque o mundo gira
Em sentido anti-horário
Porque hoje seremos só dois
Bahia
Como sóis nascidos e poentes
Brilhos vistos nos olhos e nos ouvidos
Risos de cores e flores e panos
Ritos de música
Velhos e Novos Baianos
Do solo nascidos
Juazeiros e Remansos
Já diziam outros versos
E contos e cantos
Pois há inda quem diga
Que o Sol há tempos juntou seus panos
Com os da Lua sem revelia
E se casaram numa praia
Vivendo amor na Bahia
Brilhos vistos nos olhos e nos ouvidos
Risos de cores e flores e panos
Ritos de música
Velhos e Novos Baianos
Do solo nascidos
Juazeiros e Remansos
Já diziam outros versos
E contos e cantos
Pois há inda quem diga
Que o Sol há tempos juntou seus panos
Com os da Lua sem revelia
E se casaram numa praia
Vivendo amor na Bahia
Borboleta
No azul das telas pintadas
Se foi, com asas de borboleta
Das tardes tingidas em flor
E poeira dos carros a passar
Mergulhada em novos anseios
De um só
Dia a mais para ver
Um pôr-do-sol em laranjas
Rimas de poeta ouvir
Quando aos ouvidos cantavam-lhe
Uma mentira a mais
E aconchegava-lhes ao seio
Só pra não dormir só
A noite que traz o sono
Do prazer e do desencontro
Mas destinação encontrou
Quando embriagada de luz
O vento sua asas deixou
À sombra do amanhecer
Se foi, com asas de borboleta
Das tardes tingidas em flor
E poeira dos carros a passar
Mergulhada em novos anseios
De um só
Dia a mais para ver
Um pôr-do-sol em laranjas
Rimas de poeta ouvir
Quando aos ouvidos cantavam-lhe
Uma mentira a mais
E aconchegava-lhes ao seio
Só pra não dormir só
A noite que traz o sono
Do prazer e do desencontro
Mas destinação encontrou
Quando embriagada de luz
O vento sua asas deixou
À sombra do amanhecer
Poli(cé)tico
Regrados gestos
Ao público não observa
Passa por suas demandas
Dá de ombros
O compasso ditador do ritmo
Embala o asco que ora sinto
Dos meus passos nas rodas de samba
Que hoje, não –
Redondamente enganado
E cético –
Não creio no futuro da nação
Tampouco discordo dos argumentos socialistas
ou democratas
Lamento os paletós
E as bandeiras vermelhas queimando a cidade enquanto sonhos de mudança são apagados a balaços militares e bombas lacrimogêneas
Mais que isso
A corruptividade humana
Sequer me priva da repulsa a qualquer ideal moderno
E antes um ideal pós-moderno surja...
Realmente após a modernidade
Mas por hoje tentaremos chorar
Ou quem sabe seguiremos em noites
Regadas a cerveja barata e cocaína vagabunda
Acreditando que fazemos arte e vivemos poesia
Ao público não observa
Passa por suas demandas
Dá de ombros
O compasso ditador do ritmo
Embala o asco que ora sinto
Dos meus passos nas rodas de samba
Que hoje, não –
Redondamente enganado
E cético –
Não creio no futuro da nação
Tampouco discordo dos argumentos socialistas
ou democratas
Lamento os paletós
E as bandeiras vermelhas queimando a cidade enquanto sonhos de mudança são apagados a balaços militares e bombas lacrimogêneas
Mais que isso
A corruptividade humana
Sequer me priva da repulsa a qualquer ideal moderno
E antes um ideal pós-moderno surja...
Realmente após a modernidade
Mas por hoje tentaremos chorar
Ou quem sabe seguiremos em noites
Regadas a cerveja barata e cocaína vagabunda
Acreditando que fazemos arte e vivemos poesia
Mórbido
Incidimos sobre os mesmos erros
Passos perdidos no passeio público
Mas se ao menos tu aprendesses
Ou te arrependesses do que não foi feito
Viagens, canções, plantas
Filhos, livros e cachorro latindo na varanda
Os dias não são mais os mesmos meu bem
E sequer nos imagino escorrendo de alegria pela cidade como fizemos noutras vidas
Empenhamos nossa beleza e sorrisos carinhosos
Vendemos beijos e mesmo noites de amor
Fomos agredidos e rejeitados
Sofremos da pele, dos rins e do coração
Negamos a morte porque não a aceitamos
Pois somente ela nos faz sentir o peso de tantos fetichismos
Somente ela nos mostra
Sem véus ou ataduras
As fraturas e cicatrizes em nossos calados desejos
Passos perdidos no passeio público
Mas se ao menos tu aprendesses
Ou te arrependesses do que não foi feito
Viagens, canções, plantas
Filhos, livros e cachorro latindo na varanda
Os dias não são mais os mesmos meu bem
E sequer nos imagino escorrendo de alegria pela cidade como fizemos noutras vidas
Empenhamos nossa beleza e sorrisos carinhosos
Vendemos beijos e mesmo noites de amor
Fomos agredidos e rejeitados
Sofremos da pele, dos rins e do coração
Negamos a morte porque não a aceitamos
Pois somente ela nos faz sentir o peso de tantos fetichismos
Somente ela nos mostra
Sem véus ou ataduras
As fraturas e cicatrizes em nossos calados desejos
Movimento
Brotam palavras de ordem das bocas jovens
Gritadas aos ouvidos
Dos velhos indignados com uma rua fechada
Trânsito lento
Vidas paradas
Os resmungos sobressaem ao vampírico movimento
Justo que se alimente do sangue jovem derramado
Ninguém lamenta
Enquanto há prantos
Dentro dos belos carros amontoados
Nas rotatórias das finas ruas
Pavimentadas da Praia do Canto
Gritadas aos ouvidos
Dos velhos indignados com uma rua fechada
Trânsito lento
Vidas paradas
Os resmungos sobressaem ao vampírico movimento
Justo que se alimente do sangue jovem derramado
Ninguém lamenta
Enquanto há prantos
Dentro dos belos carros amontoados
Nas rotatórias das finas ruas
Pavimentadas da Praia do Canto
Avóbito II
Duas velhas repousadas
Dos dias de Alzheimer não se lembram mais
Estariam deprimidas
Ou teriam se esquecido
De se lembrar de viver?
Um mês interrompido
Largo de dias morridos
Aberto e fechado
Na serena placidez de um cemitério-parque
O mesmo outrora visitado
Velo noites de luas minguadas
E encontro tristes olhares
Nos mesmos olhos moldurados
Sobre uma boca rosada
E narinas ora chorosas
Por nossas velhas morridas
Dedicado a Vanda da Silva no dia de seu falecimento, 03/06/2011.
Dos dias de Alzheimer não se lembram mais
Estariam deprimidas
Ou teriam se esquecido
De se lembrar de viver?
Um mês interrompido
Largo de dias morridos
Aberto e fechado
Na serena placidez de um cemitério-parque
O mesmo outrora visitado
Velo noites de luas minguadas
E encontro tristes olhares
Nos mesmos olhos moldurados
Sobre uma boca rosada
E narinas ora chorosas
Por nossas velhas morridas
Dedicado a Vanda da Silva no dia de seu falecimento, 03/06/2011.
Vira-latas
Ganidos agudos
O auto veloz moveu-se de encontro ao cão
Que tristeza!
Na tarde poluída agoniza sob olhares
Da criançada agitada
O pobre vira-latas
Palmilheiro de ruas carcomidas
Dos bairros periféricos raramente saía
Caçando com sagaz olhar
A pelanca dispensada
Dos açougues e aviários
Dos jantares das famílias laboriosas pretendia
Apenas os roídos
Ossos que lhe cabiam
Observe o leitor que a tragédia se apruma
Do pet shop saído um yorkshire penteado
No coche alemão de um chofer desavisado
Movido à velocidade desumana
Das fluídas veias urbanas
Um pequeno desvio para além do que estava obstruído
E um salto da calçada de onde era enxotado
Produziu-se o encontro descrito
Agudos ganidos
Que tristeza!
Pra criançada agitada
O pobre vira-latas
Na tarde poluída agoniza sob olhares
De um yorkshire peinado
O auto veloz moveu-se de encontro ao cão
Que tristeza!
Na tarde poluída agoniza sob olhares
Da criançada agitada
O pobre vira-latas
Palmilheiro de ruas carcomidas
Dos bairros periféricos raramente saía
Caçando com sagaz olhar
A pelanca dispensada
Dos açougues e aviários
Dos jantares das famílias laboriosas pretendia
Apenas os roídos
Ossos que lhe cabiam
Observe o leitor que a tragédia se apruma
Do pet shop saído um yorkshire penteado
No coche alemão de um chofer desavisado
Movido à velocidade desumana
Das fluídas veias urbanas
Um pequeno desvio para além do que estava obstruído
E um salto da calçada de onde era enxotado
Produziu-se o encontro descrito
Agudos ganidos
Que tristeza!
Pra criançada agitada
O pobre vira-latas
Na tarde poluída agoniza sob olhares
De um yorkshire peinado
I
É normal meu bem
Que quando os dias nascem frios desejemos o verão
Que as aguardentes me alegrem, mas me doam pela manhã
É normal que a novela acabe
Mas outra sempre começa na seguinte segunda-feira
Pois nossos dias repetem-se na outridade do ser
Assim como minhas cefaleias
E assim seguimos confusos
Sem vontade de matar
Sem vontade de correr
Por essa distância estranha de Maruípe à tua rua
E, por que não?
Da tua vida à minha
Que quando os dias nascem frios desejemos o verão
Que as aguardentes me alegrem, mas me doam pela manhã
É normal que a novela acabe
Mas outra sempre começa na seguinte segunda-feira
Pois nossos dias repetem-se na outridade do ser
Assim como minhas cefaleias
E assim seguimos confusos
Sem vontade de matar
Sem vontade de correr
Por essa distância estranha de Maruípe à tua rua
E, por que não?
Da tua vida à minha
II
Pelas noites capixabas percorro aéreas distâncias
Entre as mesas pelas quais passo sem saber
Se quero um beijo, uma cerveja ou minha boca entre tuas coxas
Mas te guardas ainda
Em teu tálamo de precauções
Térrea capricornialidade
E segues batendo a testa contra as paredes de tuas resoluções
Enquanto, na verdade, queres mais do que meu doce bom dia pela manhã
Queres úmidos tremores
A convulsão do gozo que guardas para minhas narinas
Entre as mesas pelas quais passo sem saber
Se quero um beijo, uma cerveja ou minha boca entre tuas coxas
Mas te guardas ainda
Em teu tálamo de precauções
Térrea capricornialidade
E segues batendo a testa contra as paredes de tuas resoluções
Enquanto, na verdade, queres mais do que meu doce bom dia pela manhã
Queres úmidos tremores
A convulsão do gozo que guardas para minhas narinas
III
Cubro-me com mantas de longas tertúlias e aprisionado
De sábado a sábado
Pela ansiedade de reencontrar teus olhos emoldurados
Emudeço com sorrisos tímidos
Abro novas estradas nas ruas já há muito postas
E como um desbravador das esquinas de Jardim da Penha te caço
Selvagem
Para que as parcas rodas do destino cruzem teus
Passos marcados
Saturnais
Com as linhas traçadas por minha hermética perseguição
De sábado a sábado
Pela ansiedade de reencontrar teus olhos emoldurados
Emudeço com sorrisos tímidos
Abro novas estradas nas ruas já há muito postas
E como um desbravador das esquinas de Jardim da Penha te caço
Selvagem
Para que as parcas rodas do destino cruzem teus
Passos marcados
Saturnais
Com as linhas traçadas por minha hermética perseguição
IV
O ônibus passa pelo ponto
Me distancio de teu ninho
Arrastado como a maré vazante de Itaparica sou levado
Aos meus ciúmes e memórias ainda consagradas no incompreensível do ser
No entanto sigo atado aos meus desejos
Aos teus sorrisos e resmungos
Às tuas expressões leitosas que se repetem em minha mente cento e oitenta
e seis vezes por dia
E então me despedaço roto, descabido
A cada noite longe dos teus seios
Qual barco de pesca legado ao capricho das marés
E à inconstância de suas lunações
Me distancio de teu ninho
Arrastado como a maré vazante de Itaparica sou levado
Aos meus ciúmes e memórias ainda consagradas no incompreensível do ser
No entanto sigo atado aos meus desejos
Aos teus sorrisos e resmungos
Às tuas expressões leitosas que se repetem em minha mente cento e oitenta
e seis vezes por dia
E então me despedaço roto, descabido
A cada noite longe dos teus seios
Qual barco de pesca legado ao capricho das marés
E à inconstância de suas lunações
V
Brotam sorrisos de nossas patológicas existências
Se juntos marcamos o compasso das horas
Se nossas manhãs não resumem-se a ‘bons dias’
E nossas noites à perfídia de coitos sem paixão
Pois emaranhados em questões funcionais e jurídicas
Ordenamos nossas alvoradas e crepúsculos
Envolvemos entre nossas coxas muito mais do que o tesão dos transeuntes
Transamos nossas vidas
E estampamos em nossas peles as marcas desses dias
Com aquarelas de sangue e cabernet
O universo fecundo de nossas vontades
Pois só assim nossas vidas vagam
De vagar
Se juntos marcamos o compasso das horas
Se nossas manhãs não resumem-se a ‘bons dias’
E nossas noites à perfídia de coitos sem paixão
Pois emaranhados em questões funcionais e jurídicas
Ordenamos nossas alvoradas e crepúsculos
Envolvemos entre nossas coxas muito mais do que o tesão dos transeuntes
Transamos nossas vidas
E estampamos em nossas peles as marcas desses dias
Com aquarelas de sangue e cabernet
O universo fecundo de nossas vontades
Pois só assim nossas vidas vagam
De vagar
VI
Ora sabeis de epístolas e mates
De ameríndias paixões e confidências guardadas
A quatro paredes conservadas por quantos dentes nos sobrem em boca
Nada fora do comum
Pois de comunidades fartos refazemos moradas
De outeiros arruídos onde abundaram serpes e sujos mendigos
Para que assim preservados em medo
Nós
Bolhas de excreta lançados ao mundo
Não rompamos em drogas e suicídios
Virtudes maiores nesses nossos tempos
De ameríndias paixões e confidências guardadas
A quatro paredes conservadas por quantos dentes nos sobrem em boca
Nada fora do comum
Pois de comunidades fartos refazemos moradas
De outeiros arruídos onde abundaram serpes e sujos mendigos
Para que assim preservados em medo
Nós
Bolhas de excreta lançados ao mundo
Não rompamos em drogas e suicídios
Virtudes maiores nesses nossos tempos
VII
Da minha vida à tua
Porque não?
Percorro essa estranha distância de Maruípe a tua rua
Lento como quem contempla
Cândido como acordes matinais
Na serenidade das trilhas já calçadas
Em noites insones e doridas
Pois nossos dias repetem-se na outridade do ser
E a próxima telenovela
Também falará de amor
Assim como as cefaleias se seguirão às esbórnias
Pois é normal meu bem
Que quando os dias nascem frios desejemos o verão
Porque não?
Percorro essa estranha distância de Maruípe a tua rua
Lento como quem contempla
Cândido como acordes matinais
Na serenidade das trilhas já calçadas
Em noites insones e doridas
Pois nossos dias repetem-se na outridade do ser
E a próxima telenovela
Também falará de amor
Assim como as cefaleias se seguirão às esbórnias
Pois é normal meu bem
Que quando os dias nascem frios desejemos o verão
Avóbito
Atingido por um avóbito
As lágrimas parentais
Retalham-me o animorto
E também eu lacrimoso
Tento em vão redargüir
Enquanto diz Deus aos vermes
Pequenos
Bon appétit!
À minha falecida avó Nilta Gomes Barboza, no dia de seu sepultamento.
04 de maio de 2011 (que belo começo de inferno astral!).
As lágrimas parentais
Retalham-me o animorto
E também eu lacrimoso
Tento em vão redargüir
Enquanto diz Deus aos vermes
Pequenos
Bon appétit!
À minha falecida avó Nilta Gomes Barboza, no dia de seu sepultamento.
04 de maio de 2011 (que belo começo de inferno astral!).
Noite Quente em Itaparica
Os portos desabitados tornam-se em praias
espoliados do seu direito geométrico
as funções se vão com o mar a cada onda polissérgica de paixão ou violência
repulsa às formalidades sociais
- inimigas das luas e dos beijos
Sutiãs repressores - eu me lembro bem
Cigarros e cigarras cantando em noite quente o mar de Itaparica
Goles secos em meu conhaque Presidente
Na companhia de outras vozes das quais pouco me lembro
mas impossível esquecer aqueles seios iluminados
Leves lambidas aos vagos sons
A língua desenhava papilas e mamilo
Emrubecia
Tocava com timidez minhas audazes vergonhas
Mas aos poucos desejava aquela língua em outras curvas
Mar violento de tantos tesões
Pelos, línguas
Azuis em lençóis de areia
Conquistávamos terreno - cavalo de pau em Tróia
Traiçoeira noite quente
Coxas, línguas chupando-se convulsivas
Três, quatro... nem me lembro mais
Tantas ondas rompendo o cais
Algibeiras arrebatadas ao mar
mas impossível esquecer aqueles seios iluminados
espoliados do seu direito geométrico
as funções se vão com o mar a cada onda polissérgica de paixão ou violência
repulsa às formalidades sociais
- inimigas das luas e dos beijos
Sutiãs repressores - eu me lembro bem
Cigarros e cigarras cantando em noite quente o mar de Itaparica
Goles secos em meu conhaque Presidente
Na companhia de outras vozes das quais pouco me lembro
mas impossível esquecer aqueles seios iluminados
Leves lambidas aos vagos sons
A língua desenhava papilas e mamilo
Emrubecia
Tocava com timidez minhas audazes vergonhas
Mas aos poucos desejava aquela língua em outras curvas
Mar violento de tantos tesões
Pelos, línguas
Azuis em lençóis de areia
Conquistávamos terreno - cavalo de pau em Tróia
Traiçoeira noite quente
Coxas, línguas chupando-se convulsivas
Três, quatro... nem me lembro mais
Tantas ondas rompendo o cais
Algibeiras arrebatadas ao mar
mas impossível esquecer aqueles seios iluminados
Sunflower Sutra (Sutra do Girassol) - Allen Ginsberg
I walked on the banks of the tincan banana dock and sat down under the huge shade of a Southern Pacific locomotive to look for the sunset over the box house hills and cry.
Jack Kerouac sat beside me on a busted rusty iron pole, companion, we thought the same thoughts of the soul, bleak and blue and sad-eyed, surrounded by the gnarled steel roots of trees of machinery.
The only water on the river mirrored the red sky, sun sank on top of final Frisco peaks, no fish in that stream, no hermit in those mounts, just ourselves rheumy-eyed and hung-over like old bums on the riverbank, tired and wily.
Look at the Sunflower, he said, there was a dead gray shadow against the sky, big as a man, sitting dry on top of a pile of ancient sawdust--
--I rushed up enchanted--it was my first sunflower, memories of Blake--my visions--Harlem
and Hells of the Eastern rivers, bridges clanking Joes greasy Sandwiches, dead baby carriages, black treadless tires forgotten and unretreaded, the poem of the riverbank, condoms & pots, steel knives, nothing stainless, only the dank muck and the razor-sharp artifacts passing into the past--
and the gray Sunflower poised against the sunset, crackly bleak and dusty with the smut and smog and smoke of olden locomotives in its eye--
corolla of bleary spikes pushed down and broken like a battered crown, seeds fallen out of its face, soon-to-be-toothless mouth of sunny air, sunrays obliterated on its hairy head like a dried wire spiderweb,
leaves stuck out like arms out of the stem, gestures from the sawdust root, broke pieces of plaster fallen out of the black twigs, a dead fly in its ear,
Unholy battered old thing you were, my sunflower O my soul, I loved you then!
The grime was no man's grime but death and human locomotives,
all that dress of dust, that veil of darkened railroad skin, that smog of cheek, that eyelid of black mis'ry, that sooty hand or phallus or protuberance of artificial worse-than-dirt--industrial--modern--all that civilization spotting your crazy golden crown--
and those blear thoughts of death and dusty loveless eyes and ends and withered roots below, in the home-pile of sand and sawdust, rubber dollar bills, skin of machinery, the guts and innards of the weeping coughing car, the empty lonely tincans with their rusty tongues alack, what more could I name, the smoked ashes of some cock cigar, the cunts of wheelbarrows and the milky breasts of cars, wornout asses out of chairs & sphincters of dynamos--all these
entangled in your mummied roots--and you standing before me in the sunset, all your glory in your form!
A perfect beauty of a sunflower! a perfect excellent lovely sunflower existence! a sweet natural eye to the new hip moon, woke up alive and excited grasping in the sunset shadow sunrise golden monthly breeze!
How many flies buzzed round you innocent of your grime, while you cursed the heavens of your railroad and your flower soul?
Poor dead flower? when did you forget you were a flower? when did you look at your skin and decide you were an impotent dirty old locomotive? the ghost of a locomotive? the specter and shade of a once powerful mad American locomotive?
You were never no locomotive, Sunflower, you were a sunflower!
And you Locomotive, you are a locomotive, forget me not!
So I grabbed up the skeleton thick sunflower and stuck it at my side like a scepter,
and deliver my sermon to my soul, and Jack's soul too, and anyone who'll listen,
--We're not our skin of grime, we're not our dread bleak dusty imageless locomotive, we're all golden sunflowers inside, blessed by our own seed & hairy naked accomplishment-bodies growing into mad black formal sunflowers in the sunset, spied on by our eyes under the shadow of the mad locomotive riverbank sunset Frisco hilly tincan evening sitdown vision
Jack Kerouac sat beside me on a busted rusty iron pole, companion, we thought the same thoughts of the soul, bleak and blue and sad-eyed, surrounded by the gnarled steel roots of trees of machinery.
The only water on the river mirrored the red sky, sun sank on top of final Frisco peaks, no fish in that stream, no hermit in those mounts, just ourselves rheumy-eyed and hung-over like old bums on the riverbank, tired and wily.
Look at the Sunflower, he said, there was a dead gray shadow against the sky, big as a man, sitting dry on top of a pile of ancient sawdust--
--I rushed up enchanted--it was my first sunflower, memories of Blake--my visions--Harlem
and Hells of the Eastern rivers, bridges clanking Joes greasy Sandwiches, dead baby carriages, black treadless tires forgotten and unretreaded, the poem of the riverbank, condoms & pots, steel knives, nothing stainless, only the dank muck and the razor-sharp artifacts passing into the past--
and the gray Sunflower poised against the sunset, crackly bleak and dusty with the smut and smog and smoke of olden locomotives in its eye--
corolla of bleary spikes pushed down and broken like a battered crown, seeds fallen out of its face, soon-to-be-toothless mouth of sunny air, sunrays obliterated on its hairy head like a dried wire spiderweb,
leaves stuck out like arms out of the stem, gestures from the sawdust root, broke pieces of plaster fallen out of the black twigs, a dead fly in its ear,
Unholy battered old thing you were, my sunflower O my soul, I loved you then!
The grime was no man's grime but death and human locomotives,
all that dress of dust, that veil of darkened railroad skin, that smog of cheek, that eyelid of black mis'ry, that sooty hand or phallus or protuberance of artificial worse-than-dirt--industrial--modern--all that civilization spotting your crazy golden crown--
and those blear thoughts of death and dusty loveless eyes and ends and withered roots below, in the home-pile of sand and sawdust, rubber dollar bills, skin of machinery, the guts and innards of the weeping coughing car, the empty lonely tincans with their rusty tongues alack, what more could I name, the smoked ashes of some cock cigar, the cunts of wheelbarrows and the milky breasts of cars, wornout asses out of chairs & sphincters of dynamos--all these
entangled in your mummied roots--and you standing before me in the sunset, all your glory in your form!
A perfect beauty of a sunflower! a perfect excellent lovely sunflower existence! a sweet natural eye to the new hip moon, woke up alive and excited grasping in the sunset shadow sunrise golden monthly breeze!
How many flies buzzed round you innocent of your grime, while you cursed the heavens of your railroad and your flower soul?
Poor dead flower? when did you forget you were a flower? when did you look at your skin and decide you were an impotent dirty old locomotive? the ghost of a locomotive? the specter and shade of a once powerful mad American locomotive?
You were never no locomotive, Sunflower, you were a sunflower!
And you Locomotive, you are a locomotive, forget me not!
So I grabbed up the skeleton thick sunflower and stuck it at my side like a scepter,
and deliver my sermon to my soul, and Jack's soul too, and anyone who'll listen,
--We're not our skin of grime, we're not our dread bleak dusty imageless locomotive, we're all golden sunflowers inside, blessed by our own seed & hairy naked accomplishment-bodies growing into mad black formal sunflowers in the sunset, spied on by our eyes under the shadow of the mad locomotive riverbank sunset Frisco hilly tincan evening sitdown vision
Assassina Poesia
Me inspiro em poemas. Poetas modernos de outrora que acabaram com a porra toda que vinha sendo feita antes deles. Modernos demolidores.
Deixem a métrica para os parnasianos - maquina de escrever versos! Já dizia o velho Oswald; e mesmo o amor romântico, velha amolação elizabethana. Banido! Insultar a beleza é que virou rock, ao menos foi pra Rimbaud, que parou de escrever poesia e virou traficante de armas. Morreu aos 37, sem uma perna - amputada por sinovite e carcinoma. Se não rompeu com a tradição romântica de ter uma vida curta, morreu de um câncer inédito ao panteão dos poetas. Já Ginsberg transou com Neal Cassady que por sua vez transou com um cara que transou com um cara que transou com Walt Whitman e acreditava ter recebido da porra fecunda do beat Moriarty a herança poética de Walty ou sabe-se lá que outra doença.
Corrosão, diria Mishima. Isso é o que fazem as palavras. Matam o sujeito, o tempo do verbo e da vida. Delicadeza no olhar ou a busca por uma experiência maior que a experiência da organicidade viva?... A modernidade acabou com as vanguardas para as modernidades futuras. Era de aquários, expeculam uns, então todos serão artistas. Mas porque diabos a essência destrutiva da poesia haveria de destruir em si o própria poeta? Ou quem sabe o poeta cansado de destruir-se em poesia tenha tentado dar um ponto final ao poema. Tentou-se até o não-poema, sepultando as palavras em esquifes concretistas. Terrível século XX de antíteses personificadas, e nessa guerra pela sobrevivência a poesia leu de análise freudiana a receita de bulgur com courgette, então, quando descobriu-se que o eu-poético era um sujeito patológico puseram-no em divãs, artaudoado em manicômios, a poesia verteu-se em páginas e páginas de fisiologia hipocondríaca e dissecações existenciais heideggerianas. O "eu" foi vencido pelo "poético", e na aventura pós-moderna de quem não chegou após o moderno, a crítica internou o sujeito na Colônia Juliano Moreira sob o diagnótico de "esquizofrênico-paranóico". Proibida a primeira pessoa do pronome pessoal do caso reto, a outridade severina emerge nos sentidos cabralinos. Nada de paixões! Mata-se então o sujeito para a honra e glória da poética arte literária.
Merecido fim.
Cabe a vós, jovens poetas, abandonar a idéia de um dia serem reconhecidos como tal. Vão desenvolver softwares, cursar engenharia, virar sub-produto da indústria cultural de massa ou se acabar em drogas, caralhos e bucetas! Quem sabe consigam uma morte prematura decorrente das tão raras doenças venéreas e então alguns amigos lembrem dos textos postados em algum blog perdido ou naquele livro publicado com verba pública que quase ninguém leu e digam "Este viveu pela poesia!".
Deixem a métrica para os parnasianos - maquina de escrever versos! Já dizia o velho Oswald; e mesmo o amor romântico, velha amolação elizabethana. Banido! Insultar a beleza é que virou rock, ao menos foi pra Rimbaud, que parou de escrever poesia e virou traficante de armas. Morreu aos 37, sem uma perna - amputada por sinovite e carcinoma. Se não rompeu com a tradição romântica de ter uma vida curta, morreu de um câncer inédito ao panteão dos poetas. Já Ginsberg transou com Neal Cassady que por sua vez transou com um cara que transou com um cara que transou com Walt Whitman e acreditava ter recebido da porra fecunda do beat Moriarty a herança poética de Walty ou sabe-se lá que outra doença.
Corrosão, diria Mishima. Isso é o que fazem as palavras. Matam o sujeito, o tempo do verbo e da vida. Delicadeza no olhar ou a busca por uma experiência maior que a experiência da organicidade viva?... A modernidade acabou com as vanguardas para as modernidades futuras. Era de aquários, expeculam uns, então todos serão artistas. Mas porque diabos a essência destrutiva da poesia haveria de destruir em si o própria poeta? Ou quem sabe o poeta cansado de destruir-se em poesia tenha tentado dar um ponto final ao poema. Tentou-se até o não-poema, sepultando as palavras em esquifes concretistas. Terrível século XX de antíteses personificadas, e nessa guerra pela sobrevivência a poesia leu de análise freudiana a receita de bulgur com courgette, então, quando descobriu-se que o eu-poético era um sujeito patológico puseram-no em divãs, artaudoado em manicômios, a poesia verteu-se em páginas e páginas de fisiologia hipocondríaca e dissecações existenciais heideggerianas. O "eu" foi vencido pelo "poético", e na aventura pós-moderna de quem não chegou após o moderno, a crítica internou o sujeito na Colônia Juliano Moreira sob o diagnótico de "esquizofrênico-paranóico". Proibida a primeira pessoa do pronome pessoal do caso reto, a outridade severina emerge nos sentidos cabralinos. Nada de paixões! Mata-se então o sujeito para a honra e glória da poética arte literária.
Merecido fim.
Cabe a vós, jovens poetas, abandonar a idéia de um dia serem reconhecidos como tal. Vão desenvolver softwares, cursar engenharia, virar sub-produto da indústria cultural de massa ou se acabar em drogas, caralhos e bucetas! Quem sabe consigam uma morte prematura decorrente das tão raras doenças venéreas e então alguns amigos lembrem dos textos postados em algum blog perdido ou naquele livro publicado com verba pública que quase ninguém leu e digam "Este viveu pela poesia!".
Assinar:
Postagens (Atom)