Descaminho

Nos caminhos decepados
Dias queimam sob sol de domingo
Luas frias colhem almas vadias
E pesados sobre o Aqueronte de asfalto
Grandes caminhões atropelam
Vidas sem moedas
Pra cruzar o rio

Proliferam cruzes ribeirinhas
Em cemitérios que abraçam rodovias
Que serpenteiam em uma dança maldita
Ao som zunido de automóveis brilhantes
Vaga-luzentes pelos escuros vazios
Dos decepados bosques de eucaliptos

E vão aflitos pelas negras vias
Guilhotinados povos sem destino
Trilhando às margens dos cansados trilhos
Buscando longe
Na garoa fina
Distantes fórmulas de descaminho